[In] Visibilidade Lésbica na Literatura

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Primeiro quero explicar qual o propósito deste texto antes de começar a falar sobre o assunto em pauta. A ideia é reunir informações sobre livros (obviamente) com personagens lésbicas para comemorar o mês da visibilidade lésbica, agosto.

 

Vou explicar o porquê do nome do texto ser: “[In] Visibilidade Lésbica na literatura”

 

[In] Visibilidade: Teoricamente no mês de agosto temos o dia da visibilidade lésbica, dia 29. Por que eu disse teoricamente? Porque a teoria é linda, a realidade é outra. Vou deixar um link sobre a criação do dia da visibilidade lésbica, inclusive um texto que fala sobre muita coisa além do dia da visibilidade: http://blogueirasfeministas.com/tag/dia-da-visibilidade-lesbica/

 

E por me recusar a ser invisível que eu quero conversar sobre Literatura com você. Eu, como escritora de romances lésbicos, tenho medo da invisibilidade que nós, lésbicas sofremos. Eu já sofri preconceito em um grupo de escritores por falar que escrevo romances e contos onde as protagonistas são lésbicas, o cara foi preconceituoso e ainda ignorou o fato de que lésbicas também lêem outros gêneros literários, inclusive o dele. O fato é, somos ignoradas em todas as frentes, por ser mulher e por amar mulher. No mesmo grupo de escritores, quando perguntei quem escreve literatura LGBT várias pessoas me responderam e conversando com elas/eles descobri que a maioria escreve romance gay e apenas uma garota se manifestou dizendo que escreve romances lésbicos. Mulheres héteros estão escrevendo romances gays e a literatura lésbica está sendo engolida por preconceituosos.

 

Ainda sobre invisibilidade, digo que já vi inúmeros filmes com enfoque em personagens gays com orçamentos três vezes maior que filmes lésbicos. O enredo dos filmes gays são melhores que os enredos dos lésbicos? Já assistiu “O segredo de Brokeback Mountain”? São mais de 30 prêmios para o filme contra 13 prêmios de “Carol”. Isso é apenas visibilidade, acredito que não. Saindo do âmbito LGBT, falando de homens e mulheres, sem gênero, sem identidade sexual envolvida, qual a sociedade prioriza? Se uma mulher e um homem estivessem na beira de um penhasco qual a sociedade salvaria? Preciso te responder? Salvaria o homem. Estamos vivendo em uma sociedade machista, seja no mundo cor-de-rosa dos héteros seja no arco-íris dos LGBT. Mulher é invisível, antes de acontecer a visibilidade lésbica verdadeira, a mulher precisa ser vista como ser humano e não como capacho, como objeto sexual, como algo inútil e feita para o prazer sexual masculino. Não quero me aprofundar em debates sociais e de gêneros, só quero mostrar como eu analiso o todo.

 

Voltando a falar de Literatura e esquecendo o cinema, eu confesso que voltei a ler livros da temática lésbica recentemente e voltei, pois acredito que a literatura nacional e internacional tem muito a oferecer sobre o tema.

 

Como eu vejo o cenário da literatura lésbica? Vejo um cenário obscuro e cheio de desafios. Como no cinema, temos uma ênfase em livros com personagens gays, pelo menos é o que eu vejo dentro do cenário de escritores que acompanho. Quando pergunto sobre personagens lésbicas a maioria responde, “estou pensando em fazer um personagem bissexual no próximo livro”. Ok! Mas Bissexual não é lésbica e vice e versa. A questão maior é porque bissexuais e não lésbicas? Qual o problema em ter um personagem 100% lésbica, assumida, feliz, casada, solteira, com problemas, sem problemas, enfim, humana? Não cheguei em uma resposta sobre essa pergunta e creio que não chegarei tão cedo. Outro questionamento que faço, é porque as escritoras héteros estão em busca de leitores gays e não se expandem para as lésbicas? Afinal mulher entende mulher. Entende mesmo? Eu confesso que não entendo e estou longe de entender.

 

Eu, em quase todos os meus livros, tento trazer lésbicas assumidas, vivas, de bem com sua sexualidade porque é isso que eu quero para todas as lésbicas do mundo, que elas convivam bem com sua sexualidade. Dúvidas? Sim minhas personagens tem dúvidas, como todo mundo já teve, mas eu tento priorizar outros aspectos da vida delas. Em “Sete tons de verde” Júlia e todas as outras personagens não demonstram ter medo de sua sexualidade, neste livro, explorei muito mais o tabu e a repressão social sobre nossos desejos sexuais do que problemas com  a aceitação sexual. No livro “A Letra do Amor” eu abordei muito mais a questão de amor de alma, ou seja, aquele amor que temos certeza que foi feito para nós e que até o universo paralelo está torcendo por ele, do que a sexualidade das personagens. Neste livro o amor é delicado, é retratado como uma conquista e uma perda diária. Já em “A Descoberta do perdão” eu abordei a questão da mentira e do perdão. Rafaela e Maria Eduarda vão lhe mostrar as duas faces da mentira e do perdão. O que faz uma pessoa esconder segredos de sua amada? O que faz com que exista o perdão depois de uma decepção? Essas são as principais questões que trabalhei no livro.

Se você não conhece nenhum dos meus livros, vou lhe dar um incentivo, rsrs. Para comemorar o dia da Visibilidade Lésbica eu estou dando um desconto para quem quiser adquirir meus livros ou e-books, basta usar o cupom de desconto no carrinho de compras. Além do frete grátis você ainda ganha mais 5% de desconto. Se você já tem todos os meus livros, avisa sua amiga que ainda não tem. 🙂

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LITERATURA LÉSBICA, O QUE LER E ONDE ACHAR?

 

O que me fez pensar no título desse post foi o fato de uma leitora me falar que é quase impossível entrarmos em uma livraria e perguntar sobre romances lésbicos e não ser olhada de forma preconceituosa. Achar literatura com personagens que nos representam é quase que restrito à internet, que felizmente vem avançando cada dia mais, mas ainda não é o suficiente.

 

A Amazon deu uma liberdade aos escritores iniciantes que antes nunca foi pensado, se autopublicar nunca foi tão simples. Achar livros LGBT nunca foi tão fácil, basta entrar no site da Amazon e procurar em e-books na categoria LGBT e se deliciar com coisas novas todos os dias. Clique aqui para ver a lista completa de livros LGBT. Você também pode encontrar livros de capa comum (impressos) na Amazon da temática. Clique aqui e veja os livros de temática lésbica.

 

Comecei o ano lendo várias coisas diferentes de forma gratuita em sites e comprados. Eu amava ter livros impressos, mas atualmente estou mudando meu conceito, pois achar livros em formato de e-book é muito mais simples do que os impressos e na maioria das vezes eles são mais baratos. O app da Amazon para celular me deu uma liberdade que nunca imaginei, posso ler sem que ninguém saiba o que estou lendo, sem que ninguém queira saber a sinopse do livro ou sem que percebam que a reunião familiar está um pé no saco e eu estou lendo, já que o celular nos dá esse disfarce. Recomendo que testem os e-books e abram a mente para esse formato.

 

Com essa nova mania, ler no celular, eu comprei inúmeros e-books, comecei por Diana Rocco, recomendação em um grupo do Facebook. Li “Clarice: luz e Sombra” e “TheoDora e outras mulheres”, amei os dois, principalmente Clarice. A Diana tem um jeito de escrever que envolve sem você querer. Depois, conheci e li Fabiula Bortolozzo, “Bella Donna: Amor no feminino” por recomendação da Diana. Duas escritoras independentes, assim como eu. 🙂

 

Depois, e quase que ao mesmo tempo, li “E se eu fosse puta” da Amara Moira, editora Hoo pois pretendo fazer um livro com uma personagem trans e “Sam e Jessy” da Priscila Cruz, editora Metanoia pois eu já tentei criar um conto de fadas com personagens lésbicas e não obtive sucesso.

 

Aí conheci, Sara Lecter com o livro “A outra metade do amor” e Marina Porteclis com “Cidade dos corações partidos” da editora PEL.

 

No Lesword, conheci a Carolina Bivard e algumas outras histórias que o site traz de forma gratuita, inclusive Aléssia da Diana Rocco.

 

Outro livro que li foi “[In] Contadas” coletânea de contos da Editora Vira Letra com escritoras de diferentes visões e escritas. Alguns contos são bons, outros nem tanto, mas o livro vale a pena pela diversidade de escritoras que escreveram.

 

A literatura lésbica ainda é um campo a ser minerado a procura de diamante e relíquias raras, mas nada deveria impedir esta ação por parte das leitoras. Conheço leitoras que só lêem se for literatura lésbica e conheço leitoras que lêem de tudo. Eu leio de tudo e sempre estou aberta a conhecer novos talentos, por isso de vez em quando vasculho o Wattpad atrás de algo para ler. Eu sou uma leitora chata, difícil livros me prenderem e me fazerem falar bem deles, a história tem que ser muito diferente, fora do cliché “hétero casada que se apaixona pela sapa e fica confusa”. Muitos livros ainda são baseados em clichés fazendo com que as histórias sejam parecidas e comuns.

 

Dos livros que citei, eu destaco dois, “Cidade dos corações partidos” e “Clarice”. O da Marina Porteclis por me surpreender no fim e abordar um tema que raramente temos coragem de falar, nossas atitudes conduzem nossas vidas, elas determinam como viveremos e elas podem ou não contribuir de forma positiva para a vida. O da Diana Rocco, por ser uma narrativa que você, ora vê Clarice como mulher, ora vê como homem, trazendo à tona a questão do gênero, é importante ter um rótulo? É necessário se identificar como um ou como outro? Os dois são os que mais se destacaram para mim, exatamente por fugir dos padrões.

 

Tenho uma lista de livros enorme para serem lidos e ela só aumenta. Como eu leio todos os gêneros, acabo tendo uma lista enorme e sem fim, rsrsr. Vou compartilhar com você alguns nomes que li a sinopse e achei interessante:

  1. Se você pudesse ser minha – Sara Farizan (amei o livro só pela sinopse)
  2. A garota dinamarquesa – David Ebershoff (esse estou lendo)
  3. Rosas e a revolução – Karina Dias (estou lendo também)
  4. Oito minutos – Fabiula Bertolozzo
  5. Esquadros – Marina Porteclis
  6. Androginia – Marina Porteclis
  7. Entre páginas – Lis Selwyn
  8. Descobertas – Nina Simões
  9. A dor me enfeita a face – Mayti Ulian
  10. Carol – Patricia Highsmith
  11. Armário sem portas – Karla Lima / Pya Pêra
  12. Armário sem portas 2 – Karla Lima / Pya Pêra
  13. Entre a Luz e a Ecuridão – Mariana Rosa
  14. Amora – Natalia Borges Polesso
  15. Relógio das flores – Sara Lecter e Drey Damaso
  16. Não conte nosso segredo Julie Anne Peters
  17. Espelhos e Miragens – Hanna K.
  18. Toque de Veludo – Sarah Waters
  19. Carne em delírio – Cassandra Rios
  20. Os dois mundos de Astrid Jones – A.S. King (eu não tenho certeza sobre ler este livro, mas coloquei na lista porque ganhou um monte de prêmio e tem indicações para outros prêmios)

 

Vou colocar apenas esses, rsrs, mas abaixo vou colocar os links de outros lugares que vocês podem achar livros da temática para comprar:

Editora PEL

Editora Metanoia

Editora Hoo (a Hoo não vende pelo site deles, mas lá tem o nome de todas as obras publicadas)

Editora Vira Letra

Editora Rocco (procure pelo assunto: Estudo de gênero / Identidade de gênero)

Editora Record (editora que traduziu Sarah Waters)

Grupo Summus

Editora Malagueta (ainda tem exemplares à venda, mas não está mais atuando)

Editora Twee (não sei se a editora tem outros romances lésbicos, mas recentemente lançou “Dualidades” da Drikka Silva)

 

Felizmente ou infelizmente, as grandes editoras quando tem um lançamento ou algum livro da temática LGBT eles rotulam como literatura genérica e nós acabamos por ficar sem saber se é um título voltado para nós ou não. Não quero ser especial, mas poderíamos ter essa diferenciação para facilitar nossa busca por títulos novos. Na Amazon existe uma categoria entitulada LGBT, mas algumas editoras acabam não usando essa categoria e você tem que ficar caçando nas sinopses se o livro fala sobre a sexualidade dos personagens. Se você entrar na categoria romance da Amazon você encontrará 21.741 títulos contra 98 resultados na categoria LGBT. Achar um livro na seção romance que nos represente é quase impossível… o bom é que na Amazon você pode ler um pouco do livro antes de comprá-lo. 🙂

Os grande e-commerce de livros no Brasil não tem segmentação de gênero voltado para LGBT, ou seja, é como procurar uma agulha no palheiro. Comentei que quando vamos em uma livraria física temos problemas em achar livros de gênero, mas na internet acha-se pouca coisa segmentada, a grande maioria está jogada no meio dos romances héteros e você, leitora, cansa de procurar algo bom.

 

Por fim, eu estou na luta contra a invisibilidade lésbica na literatura e sei que tem muitas escritoras fazendo o mesmo. Recomendo que busquem e dêem às novas escritoras a oportunidade de lhe apresentar seu trabalho. Divulgar novos talentos, incentivar com comentários e acompanhar as novidades é importante para ambos os lados, para quem escreve e para quem lê.

 

E não se esqueçam, que para comemorar o dia da Visibilidade Lésbica eu estou dando um desconto para quem quiser adquirir meus livros ou e-books, basta usar o cupom de desconto no carrinho de compras. Além do frete grátis você ainda ganha mais 5% de desconto. Se você já tem todos os meus livros, avisa sua amiga que ainda não tem. 🙂

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Um abraço,
Alice Reis

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