Pesquisa Literatura Lésbica – Resultados e Comentários

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Quase no fim do ano de 2017, fiz uma pesquisa sobre literatura lésbica para tentar entender o que vocês, leitoras queriam de nós escritoras. Demorei para trazer os resultados, mas agora vamos lá. Vou fazer um apanhado geral de cada pergunta e comentarei o que achar necessário.

 

A primeira pergunta, após o campo de e-mail, foi qual sua idade?
A faixa etária que mais respondeu a pesquisa foi de 18 a 25 anos e a faixa de 31 a 40 anos ficou em segundo.
A orientação sexual que prevaleceu foi a lésbica, seguida de bissexuais. E obtive a resposta de algumas meninas heterossexuais, poucas, mas teve.

 

Quando questionadas sobre acessar sites gratuitos de literatura, mais de 80% respondeu que acessa. O Projeto Lettera foi o mais citado, seguido de Lesword e algumas leitoras responderam que acessam o Wattpad, Spirit, Sou Betina, Grupo HPM e o meu blog (O amor de Alice).

 

Perguntei se sentem falta de alguma coisa nesses sites, a maioria respondeu que não e entendem que os sites são gratuitos e tem suas limitações. Sim, os sites gratuitos são limitados, geralmente são mantidos por paixão à literatura e não há retorno financeiro em cima deles. Mas obtive algumas respostas que exigiam mudanças nos sites, ou melhoramento de algumas ferramentas ou recursos. Também houveram reclamações sobre autoras que demoram para postar os capítulos das histórias. Além disso, algumas disseram que muitas vezes o enredo se repete e que não há realidade nas histórias, ou as histórias não falam de classes sociais menos favorecidas, geralmente são personagens ricas.

 

Em defesa das escritoras digo que, uma história nunca vai ser igual a outra por mais que o enredo seja o mesmo. Cada autora tem sua realidade e seu modo de ver o mundo, então sempre haverá diferenças nas histórias. Em nossa defesa digo mais uma coisa, nenhuma das escritoras que conheço fazem apenas isso da vida. Ou seja, as atualizações são falhas ou irregulares, muitas vezes não por culpa da escritora, mas por conta de outros acontecimentos.

 

Sobre as histórias serem reais ou não, aí já não posso defender todas as escritoras. Posso apenas dizer sobre mim, essa pesquisa me fez querer questionar algumas coisas dos meus livros e repensar algumas outras coisas. Nos contos, confesso que fujo da realidade, muitas vezes relato acontecimentos que não são reais, mas tento sempre trazer uma ponta de reflexão. Nos livros, muitas personagens são de classe média, confesso, mas houve luta para que chegassem ali, não foi do dia para a noite. Enfim, estou tentando melhorar esses aspectos. No livro “A letra do amor”, Patrícia tem problemas financeiros, assim como qualquer outra mãe que precisa sustentar a casa. No livro “A descoberta do perdão”, Rafaela é uma mulher que lutou muito para ter algo na vida e ainda não tem. Seu emprego é um emprego com salário mediano e suas conquistas são através de muitas parcelas. No livro “Sentimentos Adormecidos”, Angélica é empresária e tem uma vida boa, mas nada de ostentação e Alice também é estável com seus empregos. No livro ”Sete tons de verde”, você pensa que Júlia é uma mulher rica e cheia de dinheiro, mas a realidade dela é outra. E por fim, porém não menos importante, em “M”, Mariana é filha de um médico que tem dinheiro, mas ela mesmo leva uma vida tranquila sendo fisioterapeuta e professora. Milena tem uma empresa junto com Marília, mas também tem seus momentos de crise.

 

Voltando à pesquisa.
O gênero mais votado foi o Romance Contemporâneo seguido por um quase empate entre Drama e Aventura e em terceiro lugar um quase empate entre Comédia e Romance de Época.

 

Quando pedi para citarem livros da temática, obtive muitas respostas e descobri livros que nunca tinha ouvido falar. Algumas escritoras, além de mim, foram bastante citadas, tais como (não está em ordem de mais citada): Drikka SIlva, Sara Lecter, Diedra Roiz, Wind Rose, Patricia Highsmith, Adriana Nicolodi, Cristiane Schwinden, Karina Dias, Mariana Cortez, Sara Waters, Marina Porteclis, Diana Rocco, Fabíula Bortolozzo, Hanna K., Danieli Hautequest, Natália Polesso e Cintia Moscovich. E há também a citação de nicknames usados nos sites.
Os livros mais citados são (também não está em ordem): Coleção Arco-íris, Abismo 1 e 2, Aquele dia junto ao mar, Shangrilá, A descoberta do perdão, A letra do amor, Sete tons de verde, O relógio das flores, Mesa 27, Transformação, Toque de veludo, Carol, Amora, Duas Iguais, Bella Donna, Sem Destino, As rosas e a revolução, entre muitos outros.

 

Sites e Redes sociais são as formas mais usadas para seguir as novidades das escritoras. A maioria das leitoras preferem ler romances (narrativas longas) ao invés de contos(narrativas curtas).

 

Agora vem uma pergunta delicada, “O que você procura em uma história?”.
Em resumo, boas histórias com verossimilhança, ou seja histórias com ligação, nexo ou harmonia entre fatos e ideias. O pedido por realidade nas histórias foi unânime, ou seja, as escritoras estão um pouco fora da realidade em algumas histórias. Acho que nesse ponto preciso concordar com as leitoras, pois eu como leitora vejo bastante fuga da realidade nas histórias. As leitoras também concordaram que buscam amores reais, dramas familiares, relatos cotidianos, personagens fortes, narrativas envolventes, mulheres normais e personagens com quem possa se identificar. Eu tento tudo isso, não sei se estou conseguindo, rsrs. Algumas leitoras que me deram um retorno sobre meus livros disseram que elas voltaram a ter fé no amor e nos relacionamentos, espero continuar trazendo essas emoções, rs.

 

Na pergunta sobre enredos, os mais citados foram romances românticos, policiais, ambientes hospitalares, tramas complicadas, luta pela felicidade e comédias. Quase todas citaram fatos reais, coisas que possam acontecer de verdade na vida, ou seja, mais uma vez um pedido pela realidade. Terror, casais ricos e colegial (professoras x alunas), foram os enredos que as leitoras mais citaram na pergunta: “Qual enredo você não gosta?”.

 

“Qual o nível de importância das cenas de sexo em uma história?”
Muitas resposta foram o que eu esperava, que o sexo é essencial. Mas algumas leitoras disseram que não gostam e pulam a parte do sexo nos livros. Muitas pediram por melhores contextualizações alegando que muitas vezes o sexo é colocado apenas para se ter uma cena de sexo.

 

Resumindo a resposta sobre personagens, a maioria procura por mulheres fortes, independentes, seguras e assumidas.

 

A desistência de uma história acontece, geralmente, por ela ter muitos erros gramaticais, não ter coerência nos fatos narrados, narrativa pobre, diálogos fracos, monotonia, histórias confusas e fuga da realidade.

 

A maioria não frequenta saraus ou eventos LGBTQI, pois nas cidades em que residem não acontecem esses eventos. A maioria frequenta cinema e teatro, mas o cinema é mais frequentado do que apenas o teatro.

 

A maioria disse que pagaria por um site de literatura lésbica, caso fosse diferente dos sites gratuitos ou que tenham informações diferenciadas e não apenas histórias.

 

A grande maioria compra livros e e-books de literatura lésbica, porém 27,1% compram apenas livros e 9,3% apenas e-books. O que mais me impressionou foi que 28,6% não compram nenhum. Os e-books comprados na Amazon representam 37,9% das respostas. Mais do que a maioria (59%) procuram por lançamentos de livros nas editoras especializadas.

 

Sobre sentir-se representada na literatura lésbica, apenas 59,3% das leitoras se sentem bem representadas. Quando perguntei para detalharem sobre a representatividade, a maioria relatou que a classe social que é mais relatada nas histórias é fora da realidade em que ela vive. As características físicas também contaram nas respostas sobre representatividade, pois as leitoras relataram que a maioria das personagens são brancas, magras e exemplos de beleza.

 

Para finalizar esse texto sobre o resultado da pesquisa, deixo meu agradecimento a quem respondeu e divulgou.

 

Eu, Alice Reis, estou em busca de mudanças em meus textos, não só pelo que foi dito na pesquisa, mas busco, acima de tudo, evolução neles. Cada livro que começo, cada história que me vem à cabeça, faço inúmeras pesquisas para entender a realidade brasileira e tentar colocá-la no texto. No meu livro “M”, eu mudei drasticamente minha visão de amor, acho que consegui trazer debates internos sobre muita coisa, principalmente amores que doem, aqueles amores que nos fazem bem, mas no fundo sabemos da dependência que temos na pessoa. Trouxe também o debate do perdão e do ressentimento, além de debates familiares que podem nos fazer questionar o presente, estamos aproveitando o máximo que podemos ao lado de quem amamos ou estamos sempre deixando tudo para depois?

Estou sempre aberta a conversar sobre literatura e sobre meus livros, a minha evolução também depende do feedback de vocês.

 

Um abraço,
Alice Reis

2 comentários sobre “Pesquisa Literatura Lésbica – Resultados e Comentários

  1. Gostei muito da sua pesquisa e concordo com que as entrevistadas disseram, cenas de sexo só pra ter cenas de sexo ficam sempre uma porcaria. Tem que convencer o leitor, fazer sentido.
    Não conhecia várias dessas escritoras e já anotei o nome, tbm vou pesquisar seus livros estou sempre procurando livros lésbicos. Amora da Natália Polesso é EXCELENTE.
    Fanfics do spirit e whatpad são boas mas às vezes fogem demais da realidade e a escritora demora demais pra postar.

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