Pandemia, ansiedade e depressão: relatos de uma garota ansiosa.

Eu não sei você, mas eu SEMPRE fui uma pessoa ansiosa e isso nunca me ajudou nas tarefas mais básicas da vida e ainda não ajuda.

 

O meu nível de ansiedade é muito variável e não, eu nunca busquei ajuda em relação a isso. A única vez que comecei a fazer terapia, foi uma experiência péssima. Diria até que foi traumatizante. E sabe por quê? Porque eu me sentia ANSIOSA toda vez que tinha que ir até o consultório da psicóloga. No começo era bom, mas com o decorrer das semanas a ansiedade me tomava dias antes do horário marcado.

 

Hoje, eu sei da minha ansiedade e tento ao máximo prevê-la e acalmá-la. Minha mente é muito inquieta e a sensação de querer tudo pra hoje não ajuda em nada minha concentração. Sempre que eu começo uma tarefa, eu fico pensando nas outras mil coisas que eu tenho que fazer. No fim, eu não faço direito o que tenho que fazer e muito menos as outras coisas que ainda nem comecei.

 

Mas qual o motivo deste texto? Você deve estar se perguntando. Eu vejo em minhas redes sociais pessoas falando o quanto a quarentena está atrapalhando suas vidas e o quanto elas se sentem ansiosas. Por um momento sempre penso “que bom que não é só comigo” e no outro eu vejo que esse assunto é um tabu. 

 

Antes da pandemia e da quarentena, falar em ansiedade e depressão era um tabu e considerado, por muitos, como frescura e falta de fé. Bom… só se for de fé na humanidade, mas não vamos falar de política.

 

Eu, como uma pessoa ansiosa, digo que há ridicularizações em cima do assunto ansiedade e depressão. Eu mesma já ouvi: “Não adianta ficar assim!” inúmeras vezes. Como se fosse possível e fácil não ficar assim. Já ouvi: “Deixe as coisas acontecerem naturalmente!” Como? Eu amaria ser mais tranquila quando o assunto é resultado. Já ouvi: “Não é possível viver assim!” É possível, mas é difícil. Já ouvi: “Planeje sua rotina, você saberá o que tem que dar prioridade.” Mesmo sem planejar minhas atividades eu sei o que é importante, mas eu me saboto fingindo ter um assunto mais “urgente” ou mais “legal” para fazer. 

 

Antes da pandemia, as pessoas não entendiam o que é ter coisas para fazer e não conseguir fazer. Não por falta de capacidade, mas por falta de… como posso dizer sem soar pejorativo? O que falta é força. Talvez essa palavra é a melhor para o momento. Força. Se eu falasse Vontade, você poderia pensar: “Ah, mas temos que fazer coisas que não temos vontade!” Sim, concordo com isso. Força no sentido de incapacidade mental. Seu cérebro se pergunta “Pra que fazer isso?” “Não adianta nada fazer isso!” e seu corpo não tem força para combater esses pensamentos ruins. Seu corpo apenas concorda e desmorona. 

 

Mas depois de dois meses em quarentena, vi muitos relatos sobre ansiedade e quadros depressivos. Parece que a pandemia serviu para muitos abrirem os olhos à existência da depressão e da ansiedade. Entender que não é frescura, que não é falta de fé e que não pode ser ridicularizada e ninguém escolhe ser depressivo e ansioso. É um bom momento para você, que não tem ansiedade ou depressão, ser empático com quem tem. E se você tem, poder ver que não está sozinha no mundo.

 

Desde a eleição de 2018, eu me afastei das notícias, vejo alguns fatos, relatos e acontecimentos importantes, mas não entro mais em portais de notícia diariamente. Evito o assunto política para me preservar emocionalmente e isso me deixou muito melhor. Coloquei foco na minha vida e na minha sobrevivência mental. O mesmo aconteceu com as redes sociais. Deixei-as de lado, uso somente para divulgar meu trabalho como escritora, mas minha vida pessoal está muito bem guardada dentro da minha casa. Mas isso não te deixou alienada sobre o mundo? Você pode me perguntar. Até deixou, em partes, mas eu prezo pela minha sanidade. Ver notícias me deixava nervosa, ansiosa, depressiva e sem esperanças de um futuro melhor para nosso país. Ainda me sinto assim, mas vamos focar em nós, pensar no hoje.

 

Eu tive uma crise de ansiedade horrível no fim de 2018. Eu fiquei por mais de uma hora sem poder ao menos me mexer, pois se me mexesse parecia que meu coração ia explodir. Não foi um infarto, verifiquei com testes e cardiologistas. Foi ansiedade e eu não desejo isso a ninguém. Eu me sentia uma bomba relógio e demorei muito tempo para me sentir bem novamente. Muito tempo são dias e não horas. 

 

Quando a quarentena foi decretada, eu estava fazendo aulas de boxe e muay-thai e isso vinha me deixando muito mais tranquila. (Eu recomendo a prática de algum desses esportes quando tudo voltar ao normal.) Minha rotina estava organizada, tinha separado tempo para escrever mais vezes na semana e de repente tudo mudou. E aposto que com você também aconteceu algo semelhante. Não se preocupe, isso foi geral. Tudo mudou e vai continuar mudando.

 

Com a notícia da pandemia, eu voltei a entrar em noticiários diariamente, minha ansiedade piorou de uma hora para outra e o que eu fiz? Afundei-me em sensações horrorosas e temi pelo futuro. Continuei com os exercícios em casa e depois de duas semanas, parei com os noticiários. Não deixei de ver e me atualizar, mas só faço isso quando estou preparada para más notícias. Antes de entrar em algum noticiário eu penso: “Calma, vai vir um tsunami de coisa ruim, mas calma!”

 

Já tive crises de choro, já tive momento de euforia, de querer mudar tudo, mas já tive momento de risos e descontração. Já fiz receitas que no dia-a-dia eu não faria, descobri que não gosto de salada sem tomate e que ir ao supermercado é e sempre foi um problema para mim. Antes era, pois eu não gostava de ter que ir e gastar com o que era preciso para sobreviver. (Sou capricorniana raiz, odeio gastar, rsrs) Hoje, além do fato de não gostar de ir ao supermercado para gastar, eu me sinto sufocada quando vejo uma pessoa por perto. Os piores momentos para mim, são os que preciso sair de casa e enfrentar algum lugar que terá pessoas. 

 

Com esse sentimento de sufocamento, tentei ao máximo comprar coisas on-line ou delivery. Mas sabe o que aconteceu? Sim! Fiquei ansiosa. Ciclo sem fim… Se eu saio, fico ansiosa e com medo das pessoas. Se eu decido comprar on-line, me sinto tensa pelas decisões e ansiosa até a compra ser entregue. 

 

Outra coisa que me deixou péssima, foi o fato de não poder visitar meus pais e minha avó. Principalmente minha vó. Minha família decidiu que ia fazer reuniões on-line. Ok! Na primeira foi legal. Na segunda foi mais ou menos e daí pra frente desencadeou um monte de sentimentos ruins quando ia ter essas reuniões. Eu sempre me senti um peixe fora d’agua com reuniões familiares presenciais, imagina só como foram as on-line. Um terror. Mas participei pela minha avó, que parecia estar feliz por ver todo mundo mesmo virtualmente.

 

Existem outros casos de crises de ansiedade que poderia relatar, mas esse texto é muito mais do que um desabafo. É uma tentativa de mostrar que você não está sozinha(o). Que o ser humano é um animal racional e com tendências a ser ansioso. E como não ser ansioso/depressivo no mundo em que vivemos? E não digo apenas agora, em quarentena, em pandemia. Antes também estávamos em um momento péssimo de evolução espiritual. Vemos o quanto o ódio está disseminado, a corrupção enraizada, os nervos aflorados, as dores acobertadas. Mas não é só disso que é feito o mundo.

 

Não tenho uma solução para você deixar de ser ansiosa, só aconselho a entender de onde vêm seus momentos de ansiedade. Se puder contar com a ajuda de um profissional, ótimo. Se não puder, analise seu dia-a-dia. Respire, inspire e tenha certeza que a perfeição não existe. Buscar perfeição é algo que nos foi ensinado a vida toda, mas isso é uma ilusão muito devastadora. Quando entendemos que a perfeição não existe, conseguimos viver conosco e nos perdoar por sermos imperfeitas. Perdoe-se todo dia. Viva um dia de cada vez. E quando você não estiver em um bom dia, respire, inspire profundamente e perdoe-se.

Não conseguiu hoje? Tente mais tarde ou amanhã. 

Entender suas imperfeições e seus limites é um bom começo para você entender sua ansiedade. 

Respire, inspire profundamente e perdoe-se.

4 comentários sobre “Pandemia, ansiedade e depressão: relatos de uma garota ansiosa.

  1. Olá Alice. Tenho crises constante de ansiedade, tbem, e nessa pandemia piorou muito. Agora, eu já controlei um pouco, mas no início foi muito complicado. Na realidade a ansiedade é uma fragilidade da sua mente em relação ao que acontece ao seu redor, que deixa vc fragilizada para enfrentar as batalhas do dia a dia e da vida cotidiana do seu mundo é o mundo que te rodeia. Sei tudo isso mais ainda não consigo me controlar, ela ainda me domina. Estou nessa batalha a 3 anos. É tudo começou com uma batida de carro, onde fraturei um joelho, dai desenvolvi fibromialgia, logo depois depressão e crises de anciedade. Depois de passar por varios médico como ortopedista, fisioterapeutas, acupunturistas, fui enviada para psiquiatra e psicologo. Foi quando eu comecei a entender e tratar o que me acontecia. E estou até hoje em tratamento. Tem dias bons, dias ruins …..e os dias vão passando e eu vou lutando para vencer.

    1. Espero que você esteja bem e se cuidando. Esses tempos difíceis e cheios de incertezas nos deixam pior do que se fossem dias normais, não é? Ansiedade é um trem tão chato e complexo que muitas vezes acho que as pessoas não entendem realmente o que é ser ansioso e desprezam nossos relatos. Quero que você sempre busque estar bem e que consiga se sentir em paz, nem que seja em poucos momentos da semana. Dias difíceis teremos sempre, mas temos que buscar nossa paz mental e interior para termos dias bons também. Desejo-te tudo de bom.

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