Crente no amor, descrente na sociedade

Levando em considerações alguns temas, como por exemplo, ex-namoradas, falta de crédito no amor e a recente morte da ex-primeira dama pensei com meus botões sobre um texto para escrever, já que faz um tempinho que não escrevo. Mas no fim percebi que não seria um texto, seria um desabafo…

 

Quando penso em ex-namorada eu me vejo sendo uma das “cachorras” a solta por aí. Não sou a melhor ex-namorada, não terminei meus relacionamentos da melhor forma possível. Talvez não seja a pior ex, pelo que ouvi por aí, teve ex pedindo dinheiro emprestado e nunca pagando.

 

Li também que algumas pessoas conseguem manter a amizade, mesmo depois do fim do namoro, eu até tentei, mas não era uma relação saudável. Não no meu caso. Admiro amizades que sobrevivem ao fim do namoro (Rebeca e Rafaela estão aí para provar isso, no livro A Descoberta do Perdão).

 

Pensando na descrença das pessoas em achar um amor, vejo o quanto eu tenho sorte. Estou em um relacionamento há três anos e não me vejo sem ela ao meu lado. Foi fácil? Não, sapa, não foi!

 

Para você entender minha crença no amor, precisamos voltar um pouco no tempo. Eu tinha não sei quantos anos, estava fazendo cursinho a noite e terminando o colegial de manhã. Tinha uma secreta atração pela professora de geografia, que me fazia mandar bilhetes no fim das provas para ela ou até mesmo deixar trechos de músicas na lousa de outras salas de aulas. Na época eu lembro que eu lia uma história em um portal da internet sobre uma professora e uma aluna, claro que eu imaginei coisas, achei que podia dar certo. Em uma festa da classe, convidamos todos os professores e lá estava ela. Fiquei feliz? Claro! Mas não por muito tempo. Descobri que ela estava saindo com o professor de história, mas por mais raiva que eu sentisse, eu estava feliz por ela. Como assim? Eu não sei explicar. Eu sabia que ficar com ela era impossível e torcia pela felicidade dela, mesmo achando que a felicidade dela era comigo.

 

Passado essa paixonite pela professora, no ano seguinte, tive uma outra pela secretária do cursinho. Éramos confidentes, fazíamos churrasco todo fim de semana na sua casa e isso me deixava mais apaixonada. Mas lógico, ela ficou com outro ser humano que não eu. Pior que também fiquei feliz por ela.

 

Passado a paixonite pela secretária, tive outra. Outras, Inúmeras outras. Em nenhuma delas eu fiquei com a pessoa. Nem se quer beijar, beijei. Mas em todos os casos eu fiquei feliz pela pessoa estar feliz.

 

E o que isso tem haver com a crença no amor? Tem tudo haver e ao mesmo tempo não tem nada. Por mais que essas paixonites não viraram nada eu ainda estava crente que um dia iria dar certo. Que um dia iria encontrar alguém para dividir tudo e esse alguém iria me fazer falta de verdade, mesmo estando a poucos metros de distância.

 

Se demorou para encontrar a pessoa a certa? Você não imagina o quanto!

Primeiro namorei por quatro anos e descobri que aquele relacionamento não iria me trazer o que eu estava procurando. Mas eu sabia o que estava procurando? Sabia. Queria alguém que estivesse comigo em todos os momentos, sejam eles bons, ruins, meio termo. Queria alguém que eu pudesse contar, que iria me apoiar, me fazer bem. Quando terminei esse relacionamento, me tornei a ex-namorada de alguém que não soube me segurar, que não soube demonstrar seu amor. Acima de tudo me tornei mais uma ex. Fui egoísta em pensar só em mim? Talvez! Mas eu não fui feita para sofrer.

 

Depois desse término conheci uma garota pela internet, conversamos e eu me apaixonei. Por inúmeros motivos não demos certo. Conheci outra garota e comecei a namorar, num certo momento deste namoro voltei a conversar com a garota da internet. Por um descuido me apaixonei de novo, sim pela mesma garota, a garota que não tinha me dado bola. Eu estava namorando, o que fazer? Terminar, não seria justo continuar namorando e gostando de outra. Eu ainda disfarcei essa paixonite me dizendo que era ilusão. Tentei namorar mais um tempo, mas foi em vão. A garota da internet ainda estava na minha cabeça e no meu whatsapp. Terminei o namoro e chamei a garota da internet para sairmos novamente, mais uma tentativa e a partir desse dia nunca mais nos desgrudamos.

 

Como você sabe que ela é o amor da sua vida? Você me pergunta. Eu te respondo: “Eu não sei, eu sinto.”

 

Quando eu penso na minha vida sem ela por perto, sinto um imenso vazio. Não sei se você sabe, mas eu passo vinte e quatro horas do meu dia com ela e quando temos que nos separar por algumas horas, independente do motivo, eu sinto falta da presença dela e me sinto perdida. Quando ela volta eu me sinto aliviada e muitas vezes redescubro o porquê estou com ela.

 

Agora você me pergunta, e o que tudo isso tem haver com a morte da Marisa, mulher de Lula?

Tudo! Em um mundo que pede por mais amor e quer crer no amor, eu só vejo contradições nas atitudes e nas ações coletivas. Não vou entrar aqui em questão política, me recuso a isso. A questão aqui é exclusivamente sobre o amor.

Às vezes, me pergunto onde vamos parar. Uma sociedade que aplaude a morte de uma mulher não merece amor, merece a infelicidade. Uma sociedade que faz memes e piadas com a morte de uma cidadã, não merece amor. Uma sociedade que tem médicos que zombam da sua paciente e espalham piadas e desejo de morte sem pudor, não merece nada. Se o médico, profissional que jurou pela vida, deseja a morte, como podemos pedir por crença no amor?

Até parece que essas pessoas não sabem o que é perder um ente querido, perder uma companheira. Foram quarenta e três anos de união e agora ele estará nessa caminhada sozinho.

 

Quando vi as piadas, os memes, os aplausos, as comemorações da morte dela eu me vi em um tempo onde a barbárie fora restaurada. Como pedir crença no amor se a selvageria fala mais alto? Como pedir crença no amor em uma época de egoísmo e desafetos?  Em uma época em que ninguém pensa na dor, não se coloca no lugar do outro.

 

Esse texto é apenas um desabafo. O desabafo de uma crente convicta no amor e uma descrente na humanidade. Contraditório? Sim, muito! Mas é o que sinto. Crença no amor e descrença na humanidade.

 

Por favor, acredite no amor, ele transforma.

Um abraço

Alice

 
 
 
 
 
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4 comentários sobre “Crente no amor, descrente na sociedade

  1. Penso exatamente como vc nessa questão da morte de Dona Marisa as pessoas parecem realmente que perderam o pudor de serem mal , de propagarem preconceitos ódios gratuitos, foi assim na morte da ex primeira dama no menino gay assasinado pela mãe em SP como se não bastasse o horror da mãe matar o próprio filho ainda teve que ache certo e desse os parabéns a ela realmente uma barbárie e o pior que parece que essa epidemia de desamor não é exclusividade só do Brasil infelizmente. Belo o seu texto Parabéns.

  2. Sem palavras além de que eu amei seu desabafo. Você coloca emoção no que diz, é fácil reconhecer uma crente no amor porque sempre tem emoção nos seus dizeres.

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