Ilha de Lesbos

Hoje o texto é sobre festa, em específico uma que fui ontem. Ilha de Lesbos, a festa.

 

O termo lésbica é derivado da interpretação dos poemas de Safo, poetisa que nasceu na ilha e cuja poesia tinha grande conteúdo emocional dirigido a outras mulheres. Graças a tal associação, Lesbos e especialmente a cidade de Eresos, lugar de nascimento de Safo, são visitadas frequentemente por turistas lésbicas hoje.
Levando em consideração isso o nome da festa é mais do que apropriado, não acha?

 

Não quero só falar que a festa foi TOP, quero parabenizar as organizadoras e dizer que podem me chamar para a próxima. Quero dizer que gostei da festa não só pela cerveja gelada, mas sim por ter me divertido com minha esposa e não ter me sentido a tia velha da balada.
A Vibe da festa estava tão intimista e feminina que as minas ficaram só de sutiã. A diversidade de personalidade era imensa, tinha as bofinhas, as femininas, as meio termo, as de suspensórios, cabelo curto, cabelo longo, sem cabelo… e foi isso que mais me deixou feliz. A diversidade sem causar mal estar, sendo celebrada e todas se divertindo muito.

 

Eu levei o bolo na festa, como costuma-se dizer, quando estamos casadas/namorando e vamos à uma festa com a esposa/namorada. Levei um bolo que já conheço o sabor, o recheio e a cobertura, que já conheço há mais de três anos e não enjoo nunca. Foi nossa primeira festa juntas, sim, em três anos, nunca tínhamos ido em uma festa de sapatão juntas, nem em boates, e já quero repetir.
Estar rodeada pela diversidade me fez feliz, fez com que me sentisse no mundo certo, no mundo de Alice. Toda sapatão é um pouco Alice, pois tem ou teve dramas familiares, tem ou teve problemas com a saída do armário, tem ou teve problemas amorosos e tem ou teve problemas internos de autoconfiança e auto estima.

 

Vi várias Júlias e Micheles pela festa (se você não entendeu a referência, leia o conto sete tons de verde) se pegando e se amando, colando e descendo até o chão e isso também me deixou feliz. Saber que a geração sapatônica vindo atrás de mim (geração de 18 a 25 anos) é muito mais liberal, mais sexual, mais viva e mais resistente me deixa extremamente grata. Precisamos parar apenas de sobreviver e precisamos viver. Viver nossa sexualidade sem ter medo. Viver nossas vontades sem bloqueios. Enfim, viver!

No texto da semana passada eu falei sobre os sofrimentos dos casais héteros (leia Hétero sofre…) e hoje reforço dizendo que ser lésbica e ser um casal lésbico é a melhor coisa do mundo.

 

Já que estamos falando de festa, vou contar como foi minha primeira festa gay, em 2009. Eu tinha vinte e três anos. Sim, 23! Perdi muito tempo na vida sendo o que eu não era, pagando de hétero. Nessa festa eu queria ter levado uma crush da época, mas ela não quis ir. Fui sozinha, depois de um tempo descobri várias coisas sobre essa crush e hoje penso que foi melhor ter ido sozinha. A festa teria como atração principal Léo Áquilla, só fui na festa sozinha, pois era ela que estaria ali. Sozinha no meio do salão de festas com um copo de cerveja na mão vi pela primeira vez um casal de mulheres se pegando ao vivo, a centímetros de distância. Tive vontade de entrar naquele beijo junto com elas. Ali naquele momento, tive a certeza que eu amo mulher, que eu amo duas mulheres juntas, que eu amo a felicidade de uma sapatão. Cada beijo que elas trocavam me dava mais certeza de que eu estava entrando num mundo maravilhoso, num mundo mais bonito e sexy, num mundo dramático e perfumado, num mundo colorido e lindo por natureza, pois toda mulher tem sua beleza. Nessa festa conheci a minha primeira namorada, fiquei com ela por quatro anos, com ela descobri muita coisa, que não vem ao caso hoje. O que importa é que fui feita para casar e não andar de bicicleta (leia Casar ou comprar uma bicicleta).

 

Hoje escrevo romances lésbicos que exaltam todo esse drama lésbico que nosso mundo nos proporciona, escrevo sobre mulheres fantásticas que são batalhadoras e desinibidas, pois é isso que TODAS nós somos. Toda mulher é maravilhosa, toda lésbica é batalhadora e toda sapa é desinibida. TODAS resistimos à sociedade machista em que fomos criadas e somos mulheres maravilhas guerreando contra a sociedade que insiste em nos tirar mais do que dar. Essa sociedade que exalta casais héteros como normais e fazem caretas e querem nos bater quando nos revelamos.

 

Se Safo está a nosso favor, quem estará contra nós?
“O Amor agita meu espírito
como se fosse um vendaval
a desabar sobre os carvalhos.”

 

Resistência sempre!
Paz e amor a todas!
Um abraço,
Alice.

 

 

 

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2 comentários sobre “Ilha de Lesbos

  1. Maravilha! Adorei assinar seu blog. Estou no trabalho e recebo notificação sua, na minha pausa do stress, faço a leitura.
    Sobre festa, também adoro o ambiente e a descontração. Só sinto falta de mais festa na minha cidade, sempre temos que ir para grandes centros para uma boa festa.
    Estou esperando um tempo para ler Julia e Michele, rsrs curiosa master!

    1. Olá, Patrícia, tudo bem?
      Que bom que está gostando do blog.
      Aqui na minha cidade também é difícil rolar boas festas.
      Aposto que vai adorar as duas. 😉
      Um abraço,
      Alice Reis

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