O que você quer da vida?

Você já se fez essa pergunta:

O que você quer da vida?

 

Quando alguém me perguntou isso pela primeira vez fiquei intrigada, tem como saber o que queremos? Tem como acertar na profissão de primeira? Acertar na pessoa que namoramos?

É uma pergunta de alta complexidade para ser feita aos 17/18 anos de um adolescente que mal sabe a diferença de mitocôndria e cloroplasto (coisa que não sei até hoje, não sei nem se existe diferença).

 

Hoje, eu sinto que poderia ter feito escolhas diferentes se eu tivesse sido criada para ouvir meu coração e não ser tão racional. Muitas vezes abafamos as vozes que nos gritam achando que elas são apenas sussurros malucos que não vão nos levar a lugar nenhum.

 

Por medo desses sussurros eu me escondi dentro de um armário escuro e solitário. Não sei se consigo imaginar a minha vida se tivesse contado aos meus pais que sou lésbica antes da faculdade. Mas consigo imaginar o que poderia estar acontecendo caso ainda estivesse dentro do armário.

 

Segundo a doutrina Espírita, a felicidade não é deste mundo. Partindo desse pressuposto pode-se dizer que estamos aqui, na Terra, para aprender e evoluir, correto? Sim, estamos aqui para aprender e evoluir e como aprendemos e evoluímos? Errando. Para aprender basta errar. Eu não escolhi a profissão errada, mas escolhi alguns caminhos dentro dessa profissão que não me fazem feliz e outros que me fazem muito feliz. Nada é 100% felicidade.

 

Como minha esposa costuma me dizer, ninguém faz o que gosta 100% do tempo, sempre temos que fazer a parte chata também. Aquela frase motivacional que está espalhada por aí e diz: “Faça o que você ama e não terá que trabalhar” é balela. Em todos os caminhos escolhidos teremos que fazer trabalhos que não queremos fazer, teremos as coisas chatas e irritantes. Não tem como fugir.

 

Quando prestei vestibular, fiz a prova pensando em duas profissões que se completam de alguma forma, jornalismo e publicidade. Me formei em publicidade, mas a veia jornalística ainda está dentro de mim, a vontade de ficar escrevendo é infinitamente maior do que a vontade de ficar editando imagens no Photoshop. Escrever sempre foi minha paixão secreta, meu hobby, minha companhia das madrugadas e eu não ouvi esses sussurros a tempo.

 

Quando me perguntaram, o que você quer da vida, eu não sabia o que responder. Até eu completar 16 anos eu queria fazer medicina, mas aí eu conheci a genética, a anatomia e o sistema nervoso e não quis fazer nada relacionado a área de biológicas. Aos 17 anos me deparei com a literatura brasileira ensinada por um professor que ama o que faz, que ama livros e que me ensinou a amar ainda mais a ler, devorar livros como se fossem brigadeiros.

 

Não tem como saber exatamente o que você quer da vida, ela apronta muito com você. Tem reviravoltas que você não espera e acaba sendo pego desprevinido, como se estivesse no mar sem esperar uma onda gigante. Planejar sua vida é uma coisa muito boa, mas te garanto que metade dos seus planos não vão dar certo e a outra metade também não. Pessimista, eu? Nunca! Eu já enfrentei várias reviravoltas na minha vida e sei que por mais que o planejamento tenha sido feito e revisado, algo sempre vai sair do caminho e te derrubar. O plano é bom, mas a execução nem sempre é perfeita.

 

E são nessas quedas que você encontrará forças, amigos e familiares, pessoas que você nunca soube que poderia contar, mas a vida te mostra que você pode e deve confiar nessas pessoas.

 

O que eu quero da vida?

Quero aprendizado, quero viver e que cada dia seja um novo dia, quero poder tirar a ansiedade dos meus atos e deixar a vida me levar.

Hoje, eu apenas quero que o dia acabe bem.
Alice

 

 
 
 
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