Sexualize-se

Se você abriu esse texto achando que vai ler dicas de como deixar sua parceira mais excitada, ou como melhorar sua vida sexual, ou qualquer outro tipo de dica, esqueça, a ideia não é essa.
O que eu posso falar sobre sexo?
Uma boa pergunta, já que eu tive apenas duas namoradas antes de me casar.

 

Sexo sempre é um tabu, quando criança não podemos perguntar de onde viemos, pois os pais já ficam todos encabulados inventando uma história mega nada a ver para nos contar. Ou vai dizer que acreditou que você vinha da cegonha?

Aí, você de repente vira adolescente e o tabu também se dá com os/as amiguinhos/as. Um dia me perguntaram se eu era hétero ou homo, aí na minha ingênua ignorância dos quatorze anos, respondi que não sabia. Engraçado, quando penso nesse dia, além de rir, eu vejo que inconscientemente sempre temos a resposta para tudo. Temos a resposta, pois, eu era indecisa sobre meninas e meninos, eu arrastava caminhões pelas meninas, mas também olhava para os meninos. Bissexual? Não! Hoje tenho certeza absoluta que não quero nunca mais ter um homem na minha vida, mas naquela época, Alice (minha alma escritora reprimida), estava na dúvida e escrevia romances onde havia poliamor, um homem e duas mulheres (as duas mulheres sempre acabavam largando o homem e virando um lindo casal).

 

Tabu ou não, sexo é bom demais, certo?

Apesar da pouca mudança de parceira, eu tive uma vida sexual ativa, posso dizer que já tentei várias coisas, já apanhei (um tapinha, não dói, certo?), já bati e já broxei. Sim! Mulher broxa. E eu não posso ter vergonha de falar que também falhei, pois sexo é bom, mas existem falhas, afinal, somos humanos.

 

Não vou descrever minha vida sexual, afinal, o intuito do texto não é esse.

 

Tive vontade de escrever sobre sexo, quando minha esposa me disse: precisamos falar sobre sexo. Ela não falou desse jeito, o assunto meio que surgiu, mas se eu tivesse que dar um título para aquele dia seria: “Querida, precisamos falar sobre sexo.”
Foi no nosso terceiro aniversário de relacionamento que surgiu o assunto e percebemos que nunca, quando digo nunca, é nunca mesmo, havíamos conversado sobre sexo. Para vocês entenderem um pouco melhor vou resumir três coisas, primeira: eu namorei a primeira garota que eu beijei por mais de quatro anos, quase cinco. Segundo: eu namorei uma garota sedenta por sexo por quase um ano e terceiro, não menos importante, minha esposa nunca teve um relacionamento maior do que seis meses antes de nos casarmos.

 

Com esse cenário te digo, nós nunca havíamos deitado na cama e falado sobre nossas experiências, perguntado sobre intimidades e sonhos eróticos. Uma dica, não esperem três anos para isso acontecer, rsrs.

 

Conversamos por horas sobre sexo, sem tabu, sem vergonha e sem malícias exageradas.

 

Eu sempre expressei meu lado sexual através da escrita, sempre coloquei as fantasias na mão de Alice e dizia, faça disso uma boa cena. Nesse dia falamos do meu relacionamento e como fazíamos para diversificar na hora do sexo, pois, nosso casamento caiu num grande problema chamado rotina sexual ou até pior, a falta dela.

 

Confesso que quando casamos não percebemos isso acontecer, não percebemos que dia após dia com a mesma pessoa pode nos fazer cegas. Parece que com o tempo você pára de ver sua esposa como sua namorada.

 

Outro pequeno detalhe que posso acrescentar aqui é que, eu e minha esposa, além de casadas somos sócias, trabalhamos juntas na mesma empresa, moramos juntas, frequentamos a mesma academia e, pasmem, vamos ao banheiro juntas! Ficamos juntas 24 horas por dia e isso não é exagero. Juro, não é um exagero, é verdade.

 

Acho que passar vinte e quatro horas com uma pessoa faz com que você se esqueça de algumas coisas e faz com que o pensamento “Estou cansada amanhã faço!” façam o sexo ser postergado para amanhã e esse amanhã pode demorar.

 

Para um sexo ser bom além da conectividade, os envolvidos devem ter intimidade, para saber se o pescoço é um ponto de arrepio ou cócegas. Intimidade também dá ao casal a liberdade de ousar, mudar, sugerir e inovar. Nessa conversa, que seguiu por horas e nos fez perder a hora de sair para nossa comemoração anual e uma tempestade nos prender dentro do carro, falamos de tudo. De como minha última namorada era energicamente sexual e isso fez eu testar algumas coisas e como eu não caí numa rotina de não sexo com minha primeira namorada.

 

Eu expus essa conversa para voltar no tópico principal do texto, tabu, preconceito e vergonha. Meus pais são católicos e a ideia dos católicos e outros religiosos sobre sexo é apenas a procriação. Gays não procriam, lésbicas não procriam, héteros não precisam procriar. A sociedade ainda trata o sexo como algo impuro, promíscuo e muitas vezes nojento. Por favor, não seja essa pessoa. Chame sua parceira, agora, e pergunte sobre as experiências sexuais dela. Sexo é para ser algo bom, gostoso, compartilhável (as experiências).

 

Lembro de um aniversário, estávamos na beira da piscina, eu, minha esposa (que era minha namorada há dois meses), duas amigas héteros, um casal hétero e uma amiga lésbica, bebendo já fazia um tempo, quando o único garoto da mesa olhou para mim e me fez a seguinte pergunta: “Mas como vocês fazem?” Eu ri e perguntei: “Sexo?” Ele afirmou e a namorada dele ficou brava por causa da pergunta. Eu ri e respondi: “Sabe filme pornô?” Todos na mesa já estavam envergonhados pelo assunto ser sexo e minha esposa estava olhando em volta para saber se minha mãe não estava perto. Ele olhou rindo e afirmou que sabia, eu respondi: “Não tem nada haver com aquilo.” e ri. A namorada dele fez a gente mudar de assunto.  Por mim teríamos continuado a conversar, mas todo mundo mudou de assunto. Éramos todos adultos, maiores de dezoito anos, estávamos bêbados e mesmo assim sexo era tabu.

 

Essa conversa que eu e minha esposa tivemos resultou em várias coisas, descobrimos que estávamos nos afastando sem perceber, que poderíamos falar sobre sexo uma com a outra sem medo e que o sexo estava sendo um compromisso que sempre que podíamos adiávamos.

 

Por fim fizemos uma comprinha em um sex shop e ela descobriu que eu já fiz sexo algemada e gostei de levar uns tapinhas…

 

Liberte-se, converse sobre sexo, compartilhe suas experiências, não tenha medo de falar sim para algo diferente e não tenha medo de falar não. Não deixe a sociedade reprimir a ninfomaníaca que há em vocês.

 

Sexualize-se!
Alice.

 

 
 
 
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